domingo, 13 de outubro de 2013

Não, obrigado! Já estou satisfeito!





Sabe aquele momento em que o estômago chega a doer de tanta fome?

Naquele momento, a imagem de qualquer prato apetitoso tem o poder de fazer você buscar aquilo com unhas e dentes.

Um homem com fome não fica em estado de inércia. Ele vai atrás, busca soluções, e não para até que aquele desejo seja saciado.

Agora imagine que esse mesmo homem faminto foi servido um banquete ilimitado de sua comida preferida. No final da refeição, quando ele já estiver estufado de comida, e o garçom o perguntar se ele deseja comer mais alguma coisa, ele responderá:

-Não, obrigado! Já estou satisfeito!

E naquele momento, aquela comida que antes era tão apetitosa se torna totalmente dispensável.

O Corinthians de 2013 está simplesmente de barriga cheia. Ao assistir os últimos 10 jogos do Corinthians, é nítido perceber que o Corinthians ainda está digerindo e saboreando lentamente os últimos anos de sua história.

E justiça seja feita, que belo banquete que ele teve!

Aquele Corinthians que ganhou tudo tinha uma fome imensa. Defesa impenetrável, meio de campo inteligente e ataque mortal. Todos marcavam, todos atacavam, todos vibravam. Era um time faminto em busca do seu banquete. Ao olhar nos olhos de cada jogador, era perceptível que todos ali estavam dispostos a tudo para saciar seu desejo. E como marionetes, eles obedeciam fielmente o grito que vinha de cima:

-Não para, não para, não para!

E eles não pararam. Ganharam tudo o que poderiam ganhar e saciaram a fome.

Agora, de barriga cheia, não correm como corriam, não marcam como marcavam e não vibram como vibravam. É até compreensível, mas nunca aceitável.

A torcida do Timão, outrora satisfeita, já começa a sentir fome. Os jogadores, por outro lado, ao ouvirem o grito de “não para”, agora respondem:


-Não, obrigado! Já estamos satisfeitos!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Lar doce lar!




Apenas quando está em casa, o ser humano é ele mesmo. Em casa, somos livres pra sermos quem nós somos, sem a interferência de qualquer tipo de pressão da sociedade. Em casa, fazemos o que queremos e não precisamos pedir licença. Falamos o que vem à cabeça, criamos nossas próprias regras, e estabelecemos nossos próprios limites. Muito do que é permitido na rua, é proibido em casa e vice-versa. Enfim, em casa somos donos do nosso próprio mundo!

O Flamengo só se sente em casa quando está no Maracanã! Em nenhum outro lugar do mundo, o Flamengo é tão dono do seu destino como naquele estádio que já foi chamado de “O Maior do Mundo”.

Eu sei que o Flamengo enche estádio no nordeste, em Brasília, no Sul, ou em qualquer outro lugar. Sei também que os torcedores desses lugares são tão flamenguistas quanto os cariocas. Mas nesse caso, o “onde” é mais importante que o “quem”. Eu sou muito querido na casa do meus tios, mas não importa o quão bem eles me tratem, aquela nunca será minha casa.

O Fla até tentou fazer de Brasília a sua casa, mas era tão estranho à ela quanto aos seus advrsários. Naquele estádio, o Flamengo chegava pedindo licença, e não mostrando o caminho. Ali, o Fla tirava o tênis antes de entrar pra não sujar nada. Ali, o Fla tocava a campainha ao invés de chegar com a chave na mão.

Tem uma grande diferença aí! Acredite! E os adversários percebiam isso quando enfrentavam o Flamengo no Mané Garrincha. Apesar de toda a torcida apaixonada, o Fla parecia jogar em campo neutro.

Compare essas duas frases:

-Vou jogar contra o Flamengo!
-Vou jogar contra o Flamengo no Maracanã!

A primeira impõe respeito. A segunda já impõe temor.

No Maraca, o Flamengo anda de cueca, põe o pé em cima da mesa, é dono do controle remoto e deixa claro pra todos os visitantes quem é que manda naquele lugar!