quarta-feira, 11 de setembro de 2013
COMO É QUE EXPLICA?
Torcedor de futebol é uma coisa difícil de entender.
Literalmente, são pessoas que doam seu precioso tempo para acompanhar um time que provavelmente aprendeu a torcer quando criança.
São pessoas que choram, gritam, se emocionam, comemoram. Enfim, se apaixonam.
Tudo isso a troco de nada.
"Nada?"
Racionalmente falando, absolutamente nada!
Um torcedor não fica mais rico quando seu time ganha, não fica mais bonito, nem ganha um emprego. São horas de devoção ao seu clube lendo notícias, acompanhando o mercado de jogadores, discutindo com o amigo do trabalho, assistindo aos jogos e etc.
Sem falar no dinheiro gasto com ingressos, camisas oficiais, Pay-Per-View, e outros.
Que lógica tem nisso? Porque vibrar como louco com um título que não é e nunca será seu?
Por que sair na rua no dia seguinte com a camisa do seu time achando que você teve alguma participação no título?
De onde veio essa idéia absurda?
Racionalmente falando, não faz sentido algum!
MAS quem disse que nós devemos analisar o futebol pelas lentes da razão?
Torcer não é razão, é emoção. E isso devia bastar para compreender o torcedor.
A razão diz:
"Não faz sentido"
E a emoção rebate:
"E porque precisa fazer sentido?"
A emoção não procura achar argumentos que justifiquem certo comportamento. Ela apenas sente, age e se contenta com isso.
Porque as vezes achamos que pra ser real precisa fazer sentido?
Imagina o quão chato seria nossas vidas se tudo tivesse que ter uma razão por trás.
A emoção é exatamente o que nos faz especiais.
É engraçado que atualmente sabemos como quase todo o nosso corpo humano físico funciona, mas os sentimentos e emoções ainda são um grande mistério a ser desvendado. Acho que eu prefiro um mistério a ser descoberto a uma equação matemática resolvida.
Saber é bom, mas sentir com certeza é muito melhor.
"Porque você é apaixonado por ela?"
"Cara, eu não sei explicar. Eu apenas sinto!"
Simples, né?
Torcedor não busca estar certo ou fazer sentido, ele busca aqueles momentos mágicos no qual estará pulando abraçado a um estranho comemorando o gol do seu time. Ele busca aquele momento no qual estará chorando após uma eliminação doída. Ele busca aquele sentimento único de ver seu time levantando a taça.
E no fundo, ele sente que não está apenas assistindo, mas sim participando. O "eles" se torna "nós".
E a razão se intromete de novo:
"Nós? Você não teve nada a ver com isso! Não ajudou em nada!"
E com um sorriso de pena, a emoção responde:
"Você não consegue mesmo entender, né? Eu tenho tudo a ver com isso. Afinal de contas, eu sou o décimo segundo jogador!"
Faz sentido?
Acho que não! E desde quando paixão faz sentido?
Como dizia Lulu Santos:
"Deixa ser pelo coração! Se é loucura, então melhor nem ter razão!"
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É o dilema da vida, se for parar pra pensar a razão e a emoção se envolvem em tudo, e vai ser sempre essa briga louca dentro de você, uma hora a razão ganha na outra a emoção ganha!
ResponderExcluirEssa é a graça da vida!
Muito bom Lucas. Parabéns pela matéria. Como já dizia Armando Nogueira, somos uma pátria de chuteiras.
ResponderExcluirBela reflexão, Cuca! Não sei, mas acho que na juventude a emoção ganha de lavada; depois dos 30 acho que equilibram razão e emoção, e após os 40 a razão reverte o jogo, mas a emoção de vez em quando, aos 45 minutos do 2º tempo mostra que está vivinha surpreendendo a todos. Bem, pode ser também que tudo isso tenha a ver com a personalidade de cada um. É o que penso!
ResponderExcluirMuito bom!
ResponderExcluirParabéns pelo texto!
Faz esse negócio vingar! Nada de desistir nas primeiras semanas!
Teu
Valeu Cuca, boa reflexão. As vezes fico pensando o que leva uma pessoa dominada pela emoção a cometer atos de violência e vandalismo como vemos hoje com tantos torcedores de clubes pelo mundo. Quando o nosso lado emocional domina o lado racional estamos a mercê da sorte, do inesperado, do insano. Uma das formas de interpretar o Domínio Próprio que a Bíblia menciona é permitir que tenhamos muitas emoções sem perder a razão. Talvez para uma boa parte das pessoas seja difícil definir o limite entre a emoção e a razão. Para mim é claro: Emoções sim, irracionalidade nunca. Abraço do Tio Roberto Ingles.
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